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Santa Blues Tenerife

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Santa Cruz é um muermo habitualmente, mas em chegando o verão -ou a melhor dizer, o que eles dão em chamar verão- acumulam-se eventos culturais que bem podiam ter um outro melhor reparto. Foi após a Noite do Lume Novo e com a lua a chegar o seu zénite, que dava começo o Santa Blues de Tenerife; três noites de protagonismo para as guitarras, como não, e para três vozes femininas. Na última data havia coincidir o Dia da Música, com mais de 200 músicos, artistas, grupos e dj’s de Chinet achegando seu sons numa dezena de cenários espalhados pela cidade; falta de sincronização das organizações? Será por dias, ou? Assim também tive de renunciar o único dos de pago que está a chegar por estes lares e que apetecia assistir: Muchachito Bombo Infierno. 18 leuriços vs blues gratuito = outra vez será.

Quinta-feira, 24 de Junho


Os primeiros em pisar o cenário da rua da Noria eram gente da casa mas afeitos a trabalhar em Barcelona: Rojas Blues Band, ou o que é o mesmo, a banda do guitarrista Iván Rojas -desses que acenam com o bico o mesmo que fala o seu instrumento e tiram de mais do pedal-, fazia se acompanhar da cantante Esther Ovejero, uma lobona com boa voz para o jazz-blues. De seguido havia sair um excepcional guitarrista de Arkansas, Larry McCray, que sem amossar apenas esforço tirava das cordas sons do Clapton, Hendrix, King ou Hooker misturados com os seus próprios, numa mestiçagem blueseira de altíssima qualidade. Um do que sem dúvida havia gostar o meu particular intendente de blues, Isaac.

Sexta-feira, 25 de Junho

Alguém desses que se dão em entendidos destas cousas disse que o catalão Johnny Pérez abusava dos pedais, mas eu que não entendo de nada mas escuto de todo, não concordo. Mais se temos em conta que o Trio, reconvertido a Quarteto pela colaboração dum bom pianista e harmónica, adornou a praçinha do Murphy’s com toda a força do guitarreiro estilo de Steve Ray Vaughan. A seguir do barcelonês havia vir uma dessas damas norte-americanas crescidas no mundo do gospel, grande e de vestir hortera e pior peitear, mas com um vozarrão para fazer o que lhe vem em gana. De típica presentação também, onde uma boa banda de profissionais caldea o ambiente com um par de temas, para posteriormente apresentar à estrela, que sai receber as flores. Sandra Hall ganhou-nas depois, certamente.

Sábado, 26 de Junho


Tina Riobo é uma preciosa preta canária -julguem se não-, de pais da Guiné, com uma bonita voz que se fixo acompanhar de conhecidos músicos da ilha, em excesso assépticos com a excepção do saxofonista, para oferecer em pouco mais de média hora o repertório mais escasso e cheio de versões do SBT. Com todo estava na casa, muito arroupada pelos seus, e recebeu o único pedido de “bis” real do festival, e, aposto algo, foi a diana objecto de mais disparos, fotograficamente falando. Foi então quando pisou cenário um autêntico bluesman surenho: Kenny Neal meteu o público nos petos desde o primeiro intre, achegando ao bordo do balcão seu sorriso, empatia e bom fazer com as cordas da sua guitarra. Sem ostentações nem rebumbio de apresentações, do mesmo jeito que McCray na primeira noite. Tenho de reconhecer uma certa debilidade pelos sons do piano neste estilo musical e, como feito aposta, logo de os teclistas ser os principais esquecidos pelos técnicos de som ao longo de todo o SBT, ganhavam protagonismo com Neal que se apresentava com dous a falta de um. Junto com o baterista e um espectacular baixista aplicaram-se em tempo e qualidade num concerto excepcional. Outro para que Isaac tome nota ;)

Aqui todas as fotos

Velai os meus vídeos cutres:

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